As danças e cantares interpretados por este Rancho Folclórico representam essencialmente a vida dos habitantes do Ferro no final do século XIX e primeira metade do século XX.
No caso de modas de romaria, eram utilizadas nas festas religiosas de outrora, como é o caso do “Coração de Maria”, que é a principal festa religiosa que se realiza ainda hoje na freguesia.
Outras modas, dançadas em festas nos terreiros do Ferro, apresentam uma mensagem escondida, principalmente falando de amores proibidos, como é o caso de “Ó Limão”, “Pica o Pé”, “Batam Palmas e Mais Palmas”, “Vai Devagarinho”, “Ao Despir da Minha Saia”, “Dá Cá, Toma Lá” e “Vira do Coração”.
Há ainda outro tipo de cantares, que representam particularidades daquela época, tais como a tarefa de ir à fonte, em “Moda da Cantarinha”, ou o acto de as moças pentearem os seus longos cabelos à janela, em “Penteei o Meu Cabelo”. Não podemos esquecer as modas de trabalho, como “A Dobadeira”, principalmente de trabalho agrícola, como “Não quero que vás à monda”, “Não me digas que sim” e “É mentira”.
Estas danças eram geralmente executadas em roda, com os braços no ar, dando estalinhos com os dedos. Não havia preocupações com coreografias complicadas: os pares dançavam livremente, ora virando-se para um lado, ora para o outro, indo ao centro, passando uns pelos outros e pouco mais. Algumas danças, como “A Primavera”, apresentam características únicas. Por vezes, as rodas faziam-se com uma ou duas pessoas no meio, que representavam por gestos o que se ia cantando.
Estas modas são interpretadas com o acompanhamento de instrumentos tradicionais, e algumas delas fazem-se acompanhar se utensílios utilizados nos trabalhos da época.